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Setembro Amarelo na prática: talvez alguém perto de você esteja pedindo ajuda sem dizer
10/09/2026 |
Setembro chega e, com ele, aumenta a presença de mensagens sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Mas existe uma pergunta que vale mais do que simplesmente compartilhar uma campanha: quando alguém perto de você não está bem, você percebe?
Nem sempre o sofrimento emocional aparece de forma evidente. Algumas pessoas falam diretamente sobre o que estão sentindo. Outras mudam comportamentos, se afastam, perdem o interesse pelo que antes fazia sentido ou passam a demonstrar desesperança.
O Ministério da Saúde destaca que não existe uma fórmula capaz de identificar com certeza uma crise suicida. Os sinais precisam ser observados em conjunto e levados a sério, especialmente quando aparecem mudanças importantes no comportamento. Por isso, prevenção também passa por aprender a olhar com mais atenção.
O sofrimento nem sempre faz barulho
Uma pessoa em sofrimento pode continuar trabalhando, estudando, cuidando da casa, conversando com outras pessoas e até fazendo planos. Isso não significa que esteja tudo bem.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- falar frequentemente sobre morte, falta de esperança ou ausência de sentido;
- demonstrar que se sente um peso para outras pessoas;
- afastar-se de amigos, familiares e atividades de que antes gostava;
- apresentar mudanças importantes de comportamento ou humor;
- demonstrar desesperança em relação ao futuro;
- expressar ideias ou intenções relacionadas à própria morte.
Um sinal isolado não permite concluir que alguém esteja em risco. Mas várias mudanças acontecendo ao mesmo tempo, especialmente quando são novas ou se intensificam, merecem atenção.
E existe um ponto importante: manifestações relacionadas ao suicídio não devem ser tratadas como ameaça, chantagem ou "drama". O Ministério da Saúde orienta que sejam compreendidas como sinais de alerta.
5 frases que precisamos parar de repetir
Quando alguém demonstra que não está bem, a forma como respondemos pode fazer diferença. Uma frase dita na tentativa de ajudar pode, sem percebermos, minimizar o sofrimento, reforçar um preconceito ou até afastar a pessoa de uma conversa importante.
Por isso, vale rever algumas ideias que ainda são repetidas quando o assunto é saúde mental e prevenção do suicídio.
A seguir, veja cinco frases comuns que precisam ser deixadas para trás.
"Isso é falta de Deus."
O sofrimento psíquico não pode ser reduzido a falta de fé, força de vontade ou caráter.
Transformar uma situação complexa em uma questão de "falta de Deus" pode aumentar a culpa e afastar a pessoa da busca por ajuda.
"Quem quer cometer suicídio não fica avisando."
Essa é uma das ideias mais perigosas porque pode fazer com que sinais importantes sejam ignorados.
Materiais oficiais de prevenção destacam que muitas pessoas manifestam, direta ou indiretamente, que estão vivendo um sofrimento intenso antes de uma tentativa ou suicídio. Se alguém fala, escute.
"Isso é só para chamar atenção."
Uma manifestação de sofrimento ou de intenção suicida deve ser levada a sério.
Mesmo quando alguém parece estar "querendo chamar atenção", existe uma razão pela qual aquela pessoa está tentando comunicar que não está bem. E esse pedido merece escuta, não julgamento.
"Falar sobre suicídio pode colocar essa ideia na cabeça da pessoa."
Conversar sobre o assunto de maneira responsável e acolhedora não significa incentivar o suicídio.
Ao contrário: abrir espaço para a pessoa falar sobre aquilo que está vivendo pode ajudar a identificar sofrimento e aproximá-la de uma rede de apoio.
"É só uma fase. Vai passar."
Cuidado com essa resposta. Pode até ser uma tentativa de consolar, mas acaba minimizando aquilo que a pessoa está vivendo.
Você não precisa ter a resposta perfeita. Às vezes, o mais importante é conseguir dizer: "Eu percebi que você não está bem. Quer conversar?"
E se você perceber esses sinais em alguém?
Primeiro: não tente resolver tudo sozinho. Você pode começar pela escuta.
1. Escolha um momento para conversar
Procure um ambiente mais tranquilo e demonstre que você está disponível.
2. Escute sem transformar a conversa em julgamento
Evite comparar o sofrimento da pessoa com o de outras, dar sermões ou dizer que ela precisa simplesmente "ser forte".
3. Leve a fala a sério
Se alguém falar sobre morte ou sobre não querer mais viver, não descarte a possibilidade como exagero.
4. Incentive a busca por ajuda profissional
Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde podem fazer parte desse cuidado. No SUS, a Rede de Atenção Psicossocial oferece diferentes pontos de atendimento, incluindo UBS e CAPS.
5. Se houver risco imediato, procure atendimento de urgência
Em situações de emergência, o Ministério da Saúde orienta buscar serviços como UPA 24h, pronto-socorro ou SAMU 192. Para quem precisa conversar e busca apoio emocional, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo número de telefone 188, 24 horas por dia.
Prestar atenção também é uma forma de estar presente
Você não precisa ser especialista em saúde mental para perceber que alguém mudou, perguntar como essa pessoa está e mostrar que ela não precisa enfrentar aquele momento completamente sozinha.
Prevenção começa antes da emergência, quando o sofrimento é levado a sério e quando alguém encontra espaço para falar. E começa, muitas vezes, com uma pergunta simples: "Como você está de verdade?"
Se este conteúdo fez você pensar em alguém, não fique apenas com o pensamento. Talvez uma mensagem, uma ligação ou uma conversa hoje seja uma forma importante de demonstrar presença.
Informação ajuda a reconhecer. Escuta ajuda a aproximar. E ajuda profissional pode transformar esse cuidado em tratamento.
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