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Bets e saúde mental: quando as apostas deixam de ser entretenimento e passam a ser um problema

15/07/2026 |

As apostas esportivas online conquistaram espaço no cotidiano dos brasileiros. Com poucos cliques, é possível apostar a qualquer hora e de praticamente qualquer lugar. Mas, quando o entretenimento começa a ocupar espaço demais na rotina, o impacto pode ir além das finanças e afetar a saúde mental, os relacionamentos e a qualidade de vida.


Das bancas físicas ao celular: por que as apostas cresceram tanto?

Nos últimos anos, as plataformas de apostas online, popularmente conhecidas como “bets”, deixaram de ser um nicho para se tornarem parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Patrocínios em clubes de futebol, campanhas publicitárias e a facilidade de acesso pelo celular impulsionaram esse crescimento.

Uma pesquisa do Instituto DataSenado (2024) apontou que 13% dos brasileiros com mais de 16 anos fizeram apostas esportivas online nos 30 dias anteriores à pesquisa, o que representa cerca de 22 milhões de pessoas.

Embora a maioria utilize essas plataformas como forma de entretenimento, especialistas alertam que, para algumas pessoas, a atividade pode evoluir para um comportamento compulsivo.


O que acontece no cérebro quando apostamos?

Uma das razões pelas quais as apostas podem ser tão envolventes está na forma como o cérebro responde às recompensas.
Quando existe a possibilidade de ganhar, o organismo libera dopamina, um neurotransmissor ligado às sensações de prazer, motivação e expectativa.

O detalhe é que o cérebro responde de forma ainda mais intensa quando a recompensa é incerta. É justamente essa imprevisibilidade de ganhar algumas vezes e perder em outras, que mantém muitas pessoas engajadas por longos períodos.

Esse mecanismo é conhecido pela psicologia comportamental como reforço intermitente e também está presente em outros comportamentos compulsivos.


Você sabia?

Estudos em neurociência mostram que recompensas imprevisíveis ativam o sistema de recompensa do cérebro de forma mais intensa do que recompensas garantidas, aumentando a motivação para repetir determinado comportamento.



Quando a diversão deixa de ser saudável?

O sinal de alerta aparece quando a aposta deixa de ocupar um espaço limitado de lazer e começa a interferir em outras áreas da vida.

Vale observar situações como:
- dificuldade para parar ou ficar sem apostar;
- necessidade de apostar valores cada vez maiores;
- tentativa de recuperar perdas imediatamente;
- preocupação constante com os jogos;
- esconder de familiares ou amigos que está apostando;
- prejuízos financeiros ou conflitos familiares relacionados às apostas.

Esses comportamentos podem indicar perda de controle e merecem atenção.


Os impactos vão além do dinheiro

Quando as apostas passam a fazer parte da rotina de forma excessiva, as consequências nem sempre aparecem primeiro na conta bancária.

É comum que surjam impactos como:
- ansiedade e irritabilidade;
- dificuldade de concentração;
- alterações no sono;
- sensação de culpa após as perdas;
- isolamento social;
- conflitos familiares;
- endividamento.

Em alguns casos, a compulsão por jogos também pode estar associada a outros transtornos mentais, como ansiedade e depressão, tornando o acompanhamento profissional ainda mais importante.


Sinais de alerta

Se apostar passou a ser uma preocupação constante, gera sofrimento ou está afetando sua vida financeira, seus relacionamentos ou sua rotina, vale buscar orientação profissional. Quanto mais cedo esse comportamento é reconhecido, maiores são as chances de recuperação.



Existe tratamento?

Sim. O transtorno relacionado aos jogos de azar é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pode ser tratado.
O acompanhamento pode envolver psicoterapia, avaliação médica e, em alguns casos, tratamento medicamentoso para condições associadas, como ansiedade ou depressão.

Além disso, contar com o apoio da família e de pessoas de confiança faz diferença durante o processo de recuperação.
Buscar ajuda não significa fraqueza. Significa reconhecer que um comportamento deixou de ser saudável e precisa de atenção.


Informação também é prevenção

Quando um hábito passa a gerar sofrimento, comprometer o sono, aumentar a ansiedade, afetar os relacionamentos ou prejudicar a rotina, ele deixa de ser apenas uma questão de comportamento e passa a impactar diretamente a saúde. 

Reconhecer esses sinais e buscar ajuda precocemente é uma forma de prevenir o adoecimento e promover qualidade de vida.

 

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